Dentro da barriga, a partir das 18 ou 20 semanas de gravidez, parecem verdadeiros artilheiros. Depois de nascerem, a mania de pontapear continua quando estão acordados, ora com as duas pernas ao mesmo tempo, ora como se estivessem a pedalar. Antes de concluir que a criança vai ter jeito para o futebol, pais de «primeira viagem» devem saber que esses movimentos são involuntários e fazem parte do desenvolvimento neuromotor dos bebés.

Tanto a movimentação antes de nascer quanto os típicos dos primeiros meses de vida são actos reflexos, de acordo com o neuropediatra Paulo Breinis, professor da Faculdade de Medicina do ABC e médico do Hospital São Luiz Jabaquara. «É como quando alguém coloca o dedo na boca do recém-nascido e ele começa a sugar», explica.

O desenvolvimento dos bebés depende do processo de maturação do sistema nervoso central, que é muito rápido antes do nascimento e no primeiro ano de vida. Aos poucos, as células nervosas formam sinapses, ampliando a comunicação entre elas, e muitas delas ganham uma capa protectora de mielina (substância gordurosa), o que torna a condução dos impulsos nervosos mais eficiente.

Quando estão dentro da barriga da mãe, os fetos inicialmente têm bastante espaço para se movimentar. Só depois de um tempo (entre o quarto e o quinto mês de gestação) é que a mãe começa a sentir a «farra» lá dentro, que parece uma borboleta a bater as asas. Conforme o espaço diminui, os pontapés ficam mais explícitos para a grávida, chegando até a incomodar de vez em quando. Pouco antes do parto, o mexe-remexe diminui. Qualquer mudança brusca de padrão deve ser comunicada ao médico.

Nos primeiros meses, a mania de esticar e dobrar as perninhas a todo o tempo pode ser comparada, segundo o neuropediatra, aos chamados reflexos primitivos, que os médicos costumam testar nas primeiras consultas de rotina. Um deles é o de busca: ao tocar a bochecha, a cabeça vira em direção ao estímulo e a boca se abre, pronta para sugar.

Outro é o da marcha: ao segurá-lo em pé, pressionando uma sola de cada vez na superfície, ele movimenta-se como se estivesse a andar, o que costuma deixar os pais boquiabertos. Como o reflexo da preensão, que faz o bebé agarrar com força um dedo que lhe toca a palma da mão, esses comportamentos do recém-nascido duram poucas semanas.

O reflexo de Moro é outro exemplo que quem teve filhos recentemente se lembra bem: quando o bebé se sente em perigo, como diante de um movimento inesperado, ele estica as pernas e abre os braços como se estivesse a pedir um abraço.

«Todos esses reflexos vão desaparecendo ao longo dos primeiros meses», comenta Breinis. Conforme o córtex cerebral se desenvolve, os movimentos deixam de ser involuntários e o bebé passa a assumir o comando. Daí em diante, o mais provável é que bater as perninhas na cama seja só uma forma de se divertir. E se os pais gostarem da brincadeira, aí é que o pequeno vai se animar para valer.

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